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Um café (bem) especial

por Redação | publicado em segunda, 01 de outubro de 2018



Mineiro faz jus à fama de conversador (quando tem intimidade, é claro) e, quando gosta de um cantinho, faz dele a extensão da sala de casa. E foi bem assim que me senti no recém-inaugurado Café Magrí. Tudo lá tem cheiro, sabor e alma de Minas. A entrada é um convite à calmaria (bem no movimentado bairro Lourdes), e uma música ambiente complementa a experiência do lugar, que tem no comando o jovem casal Marília Balzani e Rafa Brito.

Os dois falam de Minas numa paixão que enche os olhos, e a vanguarda nas falas do casal mostra muito bem o caminho pelo qual os empresários pretendem percorrer. “Temos um café gelado que coloco suco de laranja. Sei quem faz o suco, com xarope de fruta artesanal. Sei quem produziu a fruta. A pegada do nosso cardápio é a valorização do produtor local, pequeno, artesanal. Falamos da rastreabilidade de todos os produtos. Sabemos de onde vem a cebola, o cogumelo, o alho, a lenha que usamos para defumar. Tudo mesmo. A gente quis valorizar a cultura mineira. Ao invés de usar um queijo gorgonzola, por exemplo, a gente vai usar um queijo azul de Cruzília [cidade mineira]”, fala Marília, de um jeito inspirador e com os olhos cheios de brilho.

O brilho nos olhos da companheira é compartilhado por Rafa. Cozinheiro de mão cheia (desses que gosta de barriga grudada no fogão e comida de verdade), ele conta que a ideia foi montar um cardápio com comidinhas que caíssem bem com os bons cafés da casa, mas também com opções mais robustas para quem prefere uma substituição na hora do almoço.

Na cozinha, Marília conta que Rafa está numa onda de explorar o defumado. “Venho usando lenha frutífera para defumar – por exemplo, a macieira para defumar o salmão e trazer notas frutadas. Esse sanduíche de salmão vem com creme de espinafre e salada de manga defumada, e tem tido uma grande recepção do público. Temos ainda os tradicionais, como quiches, bolo do dia, pão de queijo, bolinho de milho”, fala Rafa cheio de boas e saborosas ideias.

A cozinha é realmente um presente ao paladar (destaque para a quiche de cogumelo, empanada de porco com abacaxi; e para o maravilhoso bolinho de milho); e os cafés, uma verdadeira experiência gastronômica. Para se ter uma ideia do tamanho dessa projeção, durante esta prosa, tomei umas três xícaras do café mais especial que já apreciei. Insisti em experimentar a versão sem açúcar ou adoçante e fui surpreendida por uma doçura natural que fez com que uma abelha perseguisse o finalzinho da bebida.

Marília – que é barista premiada– me explicou que aquele amargor que a gente tanto conhece do nosso cafezinho diário (aqueles do supermercado) vem de uma torra malfeita. “O café especial é só café. Não tem café verde nem café mofado”, alerta a especialista. Em tempos, as louças produzidas por artistas locais são um atrativo à parte e, para quem quer se refrescar, tem chás (maravilhosos) e drinques de café: “O drinque de café vem muito para mascarar o café quando de baixa qualidade. Eu, inclusive, quando fui desenvolver o cardápio dos cafés da casa, não mascarei com o chantilly, Nutella etc. Deixa uma delícia, mas mascara o café. O barista precisa fazer um excelente café puro”.

Instagram: @cafemagri

Endereço: Rua Alvarenga Peixoto, 595 – Lourdes.


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