Belo Horizonte, 16/05/2022

Aliança Francesa apresenta exposição com selecionados do concurso Prix Photo

por redacao | publicado em quarta, 11 de maio de 2022



Foto: obra da série Anomia de Luiz Baltar/ Divulgação

Mostra conta com as obras de dois dos cinco fotógrafos selecionados na edição 2021 e ocorre no Minas Tênis Clube de 12/05 A 12/06

A 10ª edição do Concurso de fotografia “Prix Photo Aliança Francesa”, realizado em 2021, foi um sucesso, com 680 fotógrafos inscritos e muitas obras incríveis. Agora o público tem a oportunidade de conhecer dois dos cinco artistas selecionados em uma mostra especial com suas obras. A Aliança Francesa apresenta a exposição Prix Photo entre os dias 12 de maio e 12 de junho no Centro Cultural Unimed-BH Minas. A entrada é gratuita.

A mostra conta com 20 obras dos artistas José Roberto Bassul (Brasília, DF), vencedor do Prix Photo com a série “O sol só vem depois” e Luiz Baltar (Rio de Janeiro, RJ), com a série “ANOMIA / Urbs_ opsis”, que ganhou menção honrosa do júri oficial.

Os fotógrafos foram selecionados por um júri composto por grandes profissionais da fotografia e da cultura, como Benoit Capponi, Erika Negrel, Erika Tambke, Eugênio Sávio, João Kúlcsar, Marina Alves, Nicolas Henry.

O tema que norteia todas as obras é “Reflexos” e foi pensado porque o reflexo se encontra nas bases da fotografia, desde sua invenção no século XIX: nos primeiros experimentos, para se produzir uma foto era necessário captar o reflexo da luz sob uma superfície. Apesar das muitas mudanças desse dispositivo até o surgimento das câmeras digitais e smartphones, a fotografia continua sendo feita de reflexos: reflexos das novas vivências e subjetividades, reflexos de uma sociedade transformada pelas tecnologias, reflexos das novas práticas artísticas e suas infinitas possibilidades.

Mesmo nesse momento de crise mundial, a fotografia continua sendo uma das principais ferramentas para retratar e denunciar os reflexos da pandemia nas relações humanas. O tema propôs uma reinterpretação da essência da fotografia diante das transformações do mundo contemporâneo e dos desafios atuais.

O Prix Photo Aliança Francesa é uma realização da Aliança Francesa em parceria com a Air France e o Hotel Santa Teresa. Com o apoio cultural do FotoRio – Encontro Internacional de Fotografia do Rio de Janeiro, Rede Diagonal, Revista Halogénure e a bienal social e ambiental de Paris PhotoClimat. A exposição também conta com o apoio da Embaixada da França e do Centro Cultural Unimed-BH Minas.

Considerada a maior ONG cultural do planeta com DNA de cultura colaborativa, a Aliança Francesa completou 135 anos de presença no Brasil em 2020 e para além do ensino de idioma, oferece um rico leque de atividades culturais.

Sobre as séries

“O sol vem depois” – José Roberto Bassul

“O sol só vem depois” é o refrão de “A ordem natural das coisas”, música de Emicida. A canção aborda as dificuldades na vida de quem mora nas periferias e sai para trabalhar ainda de madrugada. E valoriza as singelas relações de afeto que a noite
abriga. Expõe assim as injustiças do mundo sem se desfazer da poesia. Feitas (quase todas) durante a pandemia, as fotografias desta série também adotam um tom distópico. São imagens de elementos urbanos que evocam sonhos perdidos. Reflexos das circunstâncias em que, individual ou coletivamente, enfrentamos perdas, derrotas, frustrações, desencantos, medos. Foram utilizados recursos simples na própria câmera, como subexposição, desfoque ou aplicação de elementos físicos sobre a lente. Na edição, vinhetas e granulação foram acentuados e as tonalidades, divididas. Praças e parques abandonados, quadras de esporte sem uso, ruas vazias, moradas demolidas, caminhos escuros e incertos são permeados por certo lirismo, por réstias de luz. Como se as noites soubessem que o sol só vem depois...

“ANOMIA / Urbs_opsis” – Luiz Baltar

Toda história da humanidade até o início do século XX teria sido, mais ou menos, constituída de 7 bilhões de seres humanos. Nós, ao final do século XX e início do XXI, temos 7 bilhões habitantes na Terra. É como se todos os indivíduos nascidos nos milhares de anos de nossa história estivessem vivendo ao mesmo tempo agora. Também nunca se viveu tanto. (…) Somos uma massa de seres cobrindo quase todos os cantos
do planeta, vivendo mais tempo, consumindo recursos e acumulando resíduos em um ritmo insustentável.

Para o filósofo Theodore Adorno, um crítico da degradação gerada pelo capitalismo e um dos autores mais perspicazes em entender o século XX, pela primeira vez a humanidade teve noção da possibilidade do seu fim, com as guerras, os campos de concentração e a bomba nuclear. Mesmo afastado o perigo eminente de um holocausto nuclear, continuamos ameaçando a vida no planeta.

“O tecido do progresso é feito de sofrimento real, que não diminui na proporção do aumento dos meios para suprimi-lo" Adorno O projeto Anomia nasceu desse questionamento e de um sentimento profundo de desânimo com o futuro. Ganhou uma nova motivação com o crime ambiental da mineradora Samarco, que devastou comunidades inteiras em Mariana, matando moradores e o Rio Doce na maior tragédia ecológica do país. Com esse trabalho quero falar de excesso e acumulação, entre outros sintomas da vida dentro do sistema capitalista, no qual o consumo é estruturador de valores e define identidades. As paisagens construídas são como mostras de tecidos
doentes. Cada imagem é como uma lâmina, a biopsia visual de um colapso.

Mais informações: www./aliancafrancesabh.com.br/


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