Belo Horizonte, 13/08/2020

Dia da Gastronomia Mineira celebra tradição e história no dia 5 de julho

por Redação | publicado em quinta, 02 de julho de 2020



Foto: Ricardo Cozo

Cultura alimentar de Minas Gerais é considerada fator de desenvolvimento social, econômico, cultural e turístico

Café coado na hora, queijo fresco na mesa e um tabuleiro de broa de fubá e pão de queijo saindo do forno. Para o almoço, costelinha com ora-pro-nobis, angu, tutu de feijão, couve refogada e canjiquinha no fogão a lenha – estas delícias são apenas alguns dos elementos que representam com propriedade a gastronomia mineira, cujo dia é comemorado no próximo domingo, 5 de julho.

Admirada e reconhecida nacional e internacionalmente, a gastronomia mineira ganhou uma data representativa em 2012, quando o Governo do Estado de Minas Gerais definiu que no dia do nascimento de Eduardo Frieiro, autor do primeiro livro de gastronomia dedicado aos sabores de Minas, seria comemorado como o Dia da Gastronomia Mineira. A publicação “Feijão, angu e couve – Ensaio sobre a comida dos mineiros” foi lançada em 1966.

Dos queijos aos azeites, do café à cachaça e dos menus sofisticados aos pratos simples e cheios de afeto, a gastronomia de Minas Gerais passa por ingredientes, tradições e talentos que são mantidos e considerados riquezas de todos os mineiros. Além de ter um grande valor simbólico, a culinária mineira também é considerada um fator de desenvolvimento econômico, social, turístico e cultural para o Estado.

Para o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, a gastronomia faz parte do patrimônio imaterial de Minas Gerais e deve ser desenvolvida conjuntamente com a economia da cultura e do turismo. “Isso significa promover as potencialidades do nosso estado para atrair turistas e fortalecer a cadeia produtiva do queijo, do café, da cachaça, do pão de queijo, dos doces, ou seja, da manufatura, e impulsionar a venda desses produtos carregados de ‘mineiridade’ para dentro e fora de Minas Gerais. Com isso, vamos fortalecer a cadeia da gastronomia, gerando emprego e renda e fazendo com que os sabores e saberes da cozinha mineira sejam cada vez mais reconhecidos e se consolidem como uma alavanca para o desenvolvimento sustentável da economia, do turismo e da cultura em Minas”, destacou o secretário.

Com o objetivo de promover e fomentar a gastronomia mineira, a Secult tem trabalhado, por meio do Programa Estadual de Desenvolvimento da Gastronomia, na articulação e constante diálogo com diversos atores, entre eles as Secretarias de Estado de Desenvolvimento Econômico (SEDE) e de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) para desenvolver projetos de escoamento, adequação e certificação de produtos mineiros, além de ter o foco em fortalecer pequenos produtores e ampliar a visibilidade deles para além do território do estado.

Comemorações

Tradicionalmente, desde que foi instituído, o Dia da Gastronomia Mineira é comemorado com a entrega do Prêmio Eduardo Frieiro de Gastronomia, em homenagem ao escritor mineiro, que nasceu em 5 de julho de 1889 e foi o primeiro diretor da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, a convite do então governador do Estado, Juscelino Kubitschek.

O chef de cozinha Edson Puiati, idealizador e um dos curadores da premiação, explica que o Troféu Eduardo Frieiro foi pensado como um reconhecimento e agradecimento a pessoas, instituições e organizações que destacam, enaltecem e contribuem para o desenvolvimento, reconhecimento e fortalecimento da cultura alimentar em Minas Gerais. “A história da gastronomia mineira é muito rica, repleta de ingredientes significativos, memórias afetivas, receitas que são hereditárias e cheias de identidade cultural. Na tentativa de incentivar e promover ações, condutas, projetos e programas de relevância sobre tudo que envolve nossa culinária, criamos o prêmio, que também homenageia o Frieiro, considerado um dos patronos dos sabores de Minas”, explicou Puiati.

Neste ano, em função da crise causada pela pandemia, a entrega do Prêmio Eduardo Frieiro ainda está em fase de planejamento.

Aos profissionais de toda a cadeia que a gastronomia mineira envolve, Puiati deixa seu recado: “É um momento de repensar e olhar a nossa volta. Precisamos nos unir para valorizar o turismo regional, local, rural, porque em cada canto que se visita em Minas Gerais, há a gastronomia agregada. Precisamos repensar maneiras de valorizar nosso produto, nosso conhecimento, nosso modo de fazer, fortalecer os pequenos produtores, a agricultura familiar, para que toda a diversidade, sustentabilidade e patrimônio que temos no nosso estado sejam também uma forma de transformar Minas Gerais em um celeiro do turismo gastronômico de grandes potenciais”, finalizou.

Gosto de Minas

Se para comemorar o Dia da Gastronomia Mineira a ideia for preparar uma refeição à altura da história de Minas, encontrar receitas na internet, atualmente, não é mais um desafio. No entanto, aprender com quem está cotidianamente na lida com as panelas, fogão a lenha e ingredientes tipicamente mineiros pode não ser tão fácil assim. Para isso, o blog do Portal Minas Gerais mantém a coluna “Gosto de Minas”, que semanalmente publica o passo a passo vindo de quem entende muito bem do tão apreciado sabor mineiro. Entre as mais recentes publicações estão as receitas de Pé de Moleque, Bebidas Juninas, Rocambole de Lagoa Dourada, Tutu de Feijão, Frango ao Molho Pardo, Broa de Fubá, Fideuá de Galinha Caipira e Costelinha com Ora-Pro-Nobis.

Pioneirismo

A Secult é pioneira no Brasil com a criação do Plano Estadual da Gastronomia Mineira (PEGM), que prevê atividades em diversas frentes como o desenvolvimento de políticas públicas, a revisão das estratégias já traçadas e o acompanhamento das ações previstas. Todo o trabalho é conduzido de forma multidimensional e interdisciplinar, com observação e incentivos a todos os elos da cadeia produtiva e de forma a levar em conta características sociais, culturais e turísticas relacionadas à dinâmica da produção, ao consumo, aos saberes e modos de fazer, e ao caminho que o alimento percorre da origem à mesa.

Com objetivo de revisão e adaptação do plano, são realizadas reuniões regulares entre os grupos de trabalhos do PEGM, compostos pela Secult; Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (SEDE); Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa); Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha); Fundação João Pinheiro (FJP); Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig); Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG); Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge); IMA; Epamig; Emater; Serviço Social Autônomo (Servas); Frente da Gastronomia Mineira (FGM); Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel-MG); Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial em Minas Gerais (Senac-MG) e Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas e Micro Empresas em Minas Gerais (Sebrae-MG).


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