Belo Horizonte, 18/01/2022

Dia dos Pais em dobro: a paternidade de casais homoafetivos

por redacao | publicado em sexta, 07 de agosto de 2020



Fonte: Cláudia Navarro

especialista em reprodução assistida, membro da ASRM e da ESHRE

A reprodução assistida ajuda milhares de homens, todos os anos, a realizarem o sonho da paternidade ao lado de suas companheiras que, em geral, também sonham em ser mães. Mas neste Dia Dos Pais quero falar daqueles que comemoram a data ao lado de seus companheiros, da paternidade de casais homoafetivos, em um lar em que a data é comemorada em dobro.

Antigamente, a paternidade era totalmente associada à presença de um parceiro feminino para a concepção. Então, ser homossexual era um sentença: “você nunca será pai”!

Hoje, sabemos que isso não é uma realidade, afinal, a medicina e as leis permitem que milhares de casais homoafetivos masculinos busquem na reprodução assistida a chance de realizarem o sonho da paternidade com seu próprio material genético. Formando, assim, uma família, sem abdicar de sua natureza e personalidade.

No país, além do casamento homoafetivo, permitido desde 2011, a lei também permite que crianças nascidas de procedimentos de reprodução humana sejam registradas com o nome dos dois pais na certidão.

Como realizar esse sonho?

A principal forma de realizar esse sonho é por meio da barriga solidária, ou como chamamos, útero de substituição. Tudo que eles precisam é encontrar uma mulher disposta a ceder seu útero temporariamente e com muito amor. Porém, o Conselho Federal de Medicina exige que ela tenha grau de parentesco de até 4º grau de um dos parceiros.

Além disso, o CFM exige que ela não receba valor algum como pagamento referente ao procedimento. Portanto, em nosso país é proibida qualquer compensação financeira para cessão do útero!

Fertilização In Vitro

O material genético de um dos pais é recolhido e fertilizado in vitro com um óvulo de uma doadora anônima. Ou seja, ela não pode ser a mesma pessoa que está cedendo o útero. Neste caso, deve-se buscar por um banco de óvulos. Depois, esse embrião é transferido para o útero da barriga solidária.

É possível lembrar de casos famosos de realização desse sonho, como o ator Paulo Gustavo que hoje, ao lado do marido, é pai de gêmeos. Aos casais que, por algum motivo, não podem optar pela barriga solidária, a adoção é também uma linda alternativa.

A favor da vida

A reprodução assistida contribui para as mais variadas formas de família, até mesmo para a maternidade ou paternidade solo. Afinal, todas elas são baseadas no amor, sem distinção. A medicina, como um todo, é a favor da vida. Qualquer vida!

Sobre Cláudia Navarro

Cláudia Navarro é especialista em reprodução assistida, diretora clínica da Life Search e membro das Sociedades Americana de Medicina Reprodutiva - ASRM e Europeia de Reprodução Humana e Embriologia – ESHRE. Graduada em Medicina pela UFMG em 1988, titulou-se mestre e doutora em medicina (obstetrícia e ginecologia) pela mesma instituição federal.


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