Belo Horizonte, 05/12/2021

Juntos, cigarro e álcool elevam o risco de câncer de boca em até 35 vezes

por redacao | publicado em sexta, 05 de novembro de 2021



Médico do Grupo Oncoclínicas Belo Horizonte, especialista em cirurgia de cabeça e pescoço, alerta para os sinais iniciais que podem ser confundidos com aftas

De acordo com estimativa da Associação Brasileira de Odontologia de Minas Gerais (ABO-MG), entre 20% e 25% dos pacientes do estado deixaram de realizar atendimento odontológico por medo da Covid-19. Com a volta gradual das atividades econômicas e o avanço da vacinação, os problemas começaram a aparecer nos consultórios, como dentes fraturados, cáries e bruxismo. No entanto, existem outros incômodos que podem passar despercebidos, sem a devida consulta ao dentista, como manchas e feridas, e serem confundidos com aftas, quando podem representar algo mais grave, como um câncer de boca.

“Muitas vezes, o tumor inicial não apresenta sintomas e o paciente não nota, ou se nota, não procura avaliação médica, pois não incomoda. Avaliação clínica regular e minuciosa, principalmente em pacientes expostos aos fatores de risco, é a principal arma para o diagnóstico precoce do câncer da cavidade oral e, consequentemente, para assegurar um tratamento eficaz, com menos morbidade e mortalidade. Qualquer lesão de boca (“afta”) que não regrida em poucos dias após o tratamento merece atenção”, esclarece Alexandre Andrade Sousa, médico do Grupo Oncoclínicas Belo Horizonte, especialista em cirurgia de cabeça e pescoço.

Segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer), o Brasil é o terceiro país com o maior número de ocorrências de câncer bucal, que afeta principalmente homens acima dos 40 anos. Além de feridas brancas ou vermelhas, os sinais mais comuns do câncer da cavidade oral, e que podem ser tardios, são ulceração, dor local, disfagia (principalmente em tumores localizados na região posterior da língua), odinofagia, amolecimento de dentes e massa cervical. “Também podem ser observados trismo, que é a dificuldade em abrir a boca, fixação da língua, sangramento e odor fétido – à medida que o tumor progride, necrosa, infecta-se e infiltra-se nos tecidos adjacentes. Geralmente, a perda de peso manifesta-se mais tardiamente”, elucida Dr. Alexandre Andrade Sousa.

O médico do Grupo Oncoclínicas Belo Horizonte frisa que os principais agentes causais são o cigarro e a bebida alcoólica. “Quanto mais tempo de tabagismo e quanto maior a carga tabágica, maiores são os riscos. O álcool potencializa os efeitos do cigarro: juntos, eles podem elevar o risco de câncer de boca em até 35 vezes. O vírus HPV também é outro fator de risco para o câncer de orofaringe; já no caso dos lábios, o principal responsável é a radiação solar”, descreve.

Descobertos precocemente, os tumores bucais podem ser tratados com intervenção cirúrgica, mas conforme o estadiamento da doença podem ser necessárias outras abordagens. “Na fase inicial, o tratamento é exclusivamente cirúrgico. Já nos tumores avançados, conforme a necessidade de cada caso, a princípio, realiza-se a ressecção cirúrgica, seguida de radioterapia e quimioterapia. O melhor caminho continua sendo a prevenção: evite substâncias carcinógenas (principalmente o cigarro e bebidas alcoólicas); priorize uma alimentação saudável e pratique atividades físicas. E no caso do surgimento de qualquer lesão, úlcera, afta ou nódulos na boca ou no pescoço, procure uma avaliação médica o mais rápido possível”, orienta o especialista em cirurgia de cabeça e pescoço.


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