Belo Horizonte, 16/05/2022

"Lutar, Lutar, Lutar", documentário sobre Atlético-MG, está disponível para locação on-line com exclusividade na Sala Maniva

por redacao | publicado em sexta, 17 de dezembro de 2021



Documentário de Sérgio Borges e Helvécio Marins, premiados diretores mineiros, conta emocionante história sobre futebol,

utopias, pioneirismos, injustiças, resistência e redenção

Com as conquistas do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil, 2021 já está na história do Atlético Mineiro. Coincidentemente, o ano marca também o lançamento de Lutar, Lutar, Lutar - O Filme do Galo.

O documentário, dirigido por Sérgio Borges e Helvécio Marins, sintetiza a história centenária do Clube Atlético Mineiro, desde sua fundação, em 1908, até 2014. A produção foi destaque em importantes festivais pelo mundo e esteve em cartaz nos cinemas de mais de 30 cidades do Brasil, além de sessões especiais em Boston (EUA) e Londres (Inglaterra). Mesmo ainda estando em cartaz em Belo Horizonte e Goiânia, a partir do dia 17 de dezembro, o filme ganha escala global e passa a ficar disponível para aluguel online (R$13,92) no site www.salamaniva.com em uma parceria da distribuidora Embaúba Filmes com o serviço de streaming salamaniva.com.

O Filme do Galo revisita o passado do clube, que nasceu junto com a fundação de Belo Horizonte, abraçando a utopia de juntar pessoas ricas e pobres, pretas e brancas, brasileiras e estrangeiras. A narrativa apresenta uma trajetória de glórias e pioneirismo, mas também de resistência, dores e injustiças. Entre vitórias e frustrações, o filme transcende o futebol e revela o DNA de uma das torcidas mais apaixonadas e singulares do futebol mundial.

Lutar, Lutar, Lutar foi selecionado para o Festival de Roterdã (um dos 10 mais importantes festivais de cinema do mundo), BAFICI (principal da Argentina e dos 3 mais prestigiados da América Latina), além do tradicional e conceituado Festival de Vila do Conde (Portugal). Em novembro, o filme fez parte da programação oficial do Festival des 3 Continents, de Nantes (França). Exibições em festivais de cinema tão relevantes, revelam que a paciência e persistência dos diretores, que iniciaram o projeto em 2012, resultaram em um filme capaz de entreter e emocionar diferentes públicos, inclusive aqueles formados por pessoas que não se interessam pelo esporte mais popular do planeta.

Construir uma narrativa capaz de cativar uma ampla plateia era a intenção dos diretores. “Logo no início, decidimos que seria um filme universal. Queríamos que ele fosse capaz de tocar pessoas que amam o Galo, que torcem para outro time, ou que detestam futebol, mas gostam de cinema e boas histórias, pois a do Atlético é incrível. Optamos por uma estrutura narrativa bem menos autoral do que a de nossos projetos anteriores. Provavelmente, nunca mais faremos um filme assim. Essa escolha veio para deixar o Lutar, Lutar, Lutar bastante acessível e capaz de falar com um público realmente diverso", contextualiza o diretor Helvécio Marins, que possui mais de 60 premiações em sua carreira, como o Interfilm no 68º festival de Veneza, em 2011, por seu primeiro longa, “Girimunho”.

Também multipremiado, Sérgio Borges, grande vencedor do 43º festival de Brasília (melhor filme, direção, roteiro, montagem e prêmio especial) com seu longa, “O Céu Sobre os Ombros”, concorda com a visão do colega de direção de “Lutar, Lutar, Lutar”. “A partir desse resgate centenário, tentamos mostrar e explicar ao mundo, porque esta é a torcida mais apaixonada do planeta Terra. Não é um filme apenas para quem torce pelo Galo, mas ele traz consigo o ponto de vista e a passionalidade do torcedor'', empolga Sérgio Borges, revelando na fala outra característica da produção. Apesar do produto final buscar envolver outras pessoas, trata-se de algo produzido, roteirizado, filmado, finalizado, distribuído e divulgado por uma equipe 100% atleticana.

O filme conta uma jornada construída por diversos materiais de arquivo, imagens dos jogos mais marcantes e de entrevistas com jogadores, ex-jogadores, técnicos, jornalistas e, principalmente, torcedores de arquibancada do Clube Atlético Mineiro. A narração é de Carol Leandro, “torcedora comum” integrante da torcida feminina Grupa, que empresta voz e atleticanidade à produção, reforçando o Galo como clube de todas e todos, desde 1908, como o filme evidencia.

O roteiro de Lutar, Lutar, Lutar é assinado pelos diretores, por Fred Melo Paiva (indicado ao EMMY internacional de 2014, com a série “O Infiltrado”, do History Channel) e por Lucas Campolina, que também foi o responsável pela montagem. “Buscamos construir uma narrativa fluida, que não respeita a ordem cronológica dos acontecimentos. Essa escolha também favorece um fluxo constante e crescente de conflitos. É como se cada jogo, independente da época, fosse um mito de origem do atleticano, e que relacioná-los para além da cronologia potencializasse nossos sentimentos”, revela Campolina. Nesse contexto, a trilha sonora chama atenção, resgatando várias músicas esquecidas de antigos sambistas de Belo Horizonte, destacando os cantos da apaixonada torcida atleticana dentro dos estádios e pontuando alguns momentos dramáticos do filme.

O Filme do Galo é uma produção dos diretores do filme com a ESPN e Fred Melo Paiva, que ainda é um dos personagens. "A gente não é forjado na derrota, mas na injustiça. E a injustiça é muito poderosa. Você seja injusto com qualquer grupo que ele vai se tornar muito forte. Ele vai se unir. Ele vai encontrar forças, que você não sabe de onde, pra ir pra cima", afirma Melo Paiva em uma emocionante passagem de Lutar, Lutar, Lutar. As imagens no estádio feitas pela produção priorizam a torcida, captando gestos e emoções das arquibancadas, para além dos gols ou lances dos jogos no campo. Os torcedores entrevistados, exemplos clássicos da loucura e passionalidade que envolve o Atlético, trazem histórias pitorescas, carregadas de sentimentos, que transmitem empatia, comoção e diversão.

O Filme do Galo narra as grandes conquistas esportivas do Clube Atlético Mineiro e celebra seus ídolos, mas não se contenta com isso. Ele se debruça também nas derrotas e obstáculos, criando um percurso de altos e baixos, de esperança e frustração, de dor e alegria. “Helvécio e eu enxergamos o torcedor atleticano como a síntese do cidadão comum brasileiro, com suas histórias de superação, sempre lutando para vencer as dificuldades, atravessando as injustiças da vida em busca da sobrevivência e de um destino melhor”, reflete Sérgio Borges.

Lutar, Lutar, Lutar é uma produção Canabrava, Fractais, Fred Melo Paiva e ESPN, em co-produção com Anacoluto Filmes e Olada e com o patrocínio da ESPN, BMG e Ancine/ Governo Federal.A Distribuição é da Embaúba Filmes.

UTOPIA E PIONEIRISMO

A história de Lutar, Lutar, Lutar começa com o sonho de um time de futebol que cresce na missão de unir a população de uma capital mineira recém-criada. Essa comunidade heterogênea e marcada pela divisão de classes sociais, desigualdade e discriminações de raça e gênero, tinha no futebol um dos mais importantes e democráticos espaços de encontro de realidades tão diversas. E o Atlético era o time para o qual todos podiam torcer. Um de seus rivais se proclamava um time da elite, o outro, representava a colônia italiana.

O Atlético tem a primeira metade de sua história marcada por diversas conquistas e pioneirismos. Foi o primeiro campeão de Belo Horizonte em 1914, o primeiro campeão mineiro em 1915, o primeiro campeão interestadual do Brasil em 1937 (Campeão dos Campeões) e a primeira equipe a ter uma torcida organizada, formada e fundada por mulheres, em 1929, na inauguração de seu primeiro estádio próprio. O Atlético foi também um das primeiras equipes brasileiras a excursionar para a Europa, em 1950, e foi a única na história a vencer a seleção brasileira, em 1969, jogando contra aqueles que vieram a ser tricampeões mundiais em 1970. Por fim, o Galo, foi o primeiro campeão Brasileiro em 1971.

O destaque dessa parte no filme fica para a minuciosa pesquisa da equipe, conduzida por Laura Godoy e Emmerson Maurílio, que apresenta detalhes da história do clube desconhecidos até mesmo por fanáticos atleticanos. “Eu me considerava uma pessoa que sabia tudo sobre o Atlético. Durante a produção, descobri que desconhecia algumas histórias e personagens incríveis. Acredito que vai acontecer o mesmo com boa parte da torcida e esse resgate é parte fundamental de nossa proposta com o filme”, afirma Helvécio Marins.

INJUSTIÇA E RESISTÊNCIA

O Atlético foi pioneiro e primeiro em muitos casos, mas a partir de 1971, amargou um jejum de títulos nacionais ou internacionais que durou 21 anos, até a conquista da Copa CONMEBOL em 1992 (foi bicampeão em 1997). Foram 42 anos para a épica conquista da Copa Libertadores da América, em 2013. A equipe manteve a hegemonia nos campeonatos regionais (é recordista em títulos de campeão mineiro) e, entre 1972 e 1999, chegou a 8 semifinais e 3 finais do campeonato brasileiro, porém não ganhou nenhuma.

O período sem conquistas fora de Minas Gerais marca a fase de resistência da torcida com sucessivas demonstrações de paixão, e de injustiças articuladas nos bastidores do futebol nacional, que possuía envolvimento umbilical com os comandantes da ditadura militar brasileira (1964-1985). O ápice dessas histórias é formado pelas finais dos campeonatos Brasileiros de 1977 e 1980, e a fatídica semifinal da Copa Libertadores de 1981, apontada pelo jornal inglês The Guardian, como “uma farsa” e “o maior roubo da história do futebol”.

Lutar, Lutar, Lutar mostra não ser coincidência que Reinaldo, o Rei do Galo, fosse o grande líder, ídolo e artilheiro da equipe nessa época de injustiças. Tratado por muitos como o melhor jogador brasileiro depois de Pelé, até hoje, Reinaldo é dono da melhor média de gols de um artilheiro do Brasileirão, com 28 gols em 18 jogos. São incríveis 1,55 gols por partida, na edição de 1977. “Além de ser fora de série, o REI também era um ativista político que dava contundentes entrevistas e comemorava seus gols levantando os punhos cerrados, repetindo o gesto dos Panteras Negras. Por isso, foi perseguido pela ditadura militar e seus aliados. Reinaldo foi expulso em lances ridículos em 1980 e 1981. Em 77, foi impedido de jogar a final por uma manobra nos bastidores”, relembra Sérgio Borges. Todos esses confrontos recebem detalhada atenção no documentário, que contextualiza para o público o momento político e cultural da época, bem como os interesses representados pelo Atlético e seus adversários dentro e fora dos campos.

Nos anos 2000, o Clube enfrentou grave crise financeira e administrativa que culminou na queda para a segunda divisão em 2005. Mas a Massa, como é chamada a torcida do Galo, bateu seguidamente recordes de público do Brasil em 2006, mesmo participando da série B, e levou o time de volta à primeira divisão. “A proposta sempre foi fazer um filme sobre a vida e ela só é bonita e prazerosa porque possui altos e baixos. O Lutar, Lutar, Lutar trata a tristeza como natural. Chega em momentos sombrios até, mas mostrando que a torcida sempre esteve lá, ao lado do time”, explica Helvécio Marins.

REDENÇÃO

Mas essa história reservava ainda um final feliz à Massa Atleticana. Com Ronaldinho Gaúcho vestindo o manto preto e branco, o Galo conquistou a Copa Libertadores da América 2013. Mas o atleticano não se redimiu simplesmente por sair do jejum vencendo o campeonato mais importante das Américas. O Galo foi campeão percorrendo a trajetória mais emocionante e improvável de todos os tempos na história dessa competição, virando disputas que pareciam perdidas, e conseguindo verdadeiros milagres para sair vitorioso no final. No ano seguinte, quando conquistou a Copa do Brasil, o atleticano ainda desfruta de um ajuste histórico quando enfrenta, e elimina em uma virada incrível, a equipe beneficiada pelos escândalos de 1980 e 1981.

A narrativa de “Lutar, Lutar, Lutar” atravessa todo o século XX até chegar aos tempos atuais. Mostrando-se uma representação potente dessa fascinante experiência coletiva que o futebol produz, sem fugir às suas contradições. “Temos a consciência de que, em muitos aspectos, o mundo do futebol é altamente desvirtuado. Um negócio lucrativo que carrega em si as principais mazelas da sociedade brasileira: machismo, violência, desonestidade. Mas o futebol ainda é um lugar de encontro, de diversidade, de democracia e de pertencimento. Uma representação complexa e multifacetada das nossas paixões, frustrações e das nossas relações com outras pessoas, que transcende, em muito, o jogo em si. É o encantamento com a potência criativa dos corpos, que dançam e se superam atrás de uma bola dentro de grandes palcos, num espetáculo altamente interativo com sua enorme plateia. Em suma, futebol é arte”, conclui Sérgio Borges.

Equipe premiada

Os diretores e o roteirista de Lutar, Lutar, Lutar, foram contemplados com diversos prêmios e indicações ao longo de suas carreiras. Os filmes de Helvécio Marins, produtor e diretor, receberam mais de 60 prêmios nos mais importantes festivais internacionais e brasileiros, como Veneza, Berlim, Toronto, Roterdã, Tóquio, e MoMa NY. “Girimunho”, seu primeiro longa-metragem, recebeu o “Interfilm no 68º Festival de Veneza", em 2011. "Querência", seu segundo longa, conta com produção de Walter Salles e foi lançado mundialmente no 69º Festival de Berlim, em 2019. Já o diretor e produtor Sérgio Borges teve filmes exibidos e premiados em festivais nacionais e internacionais como: Roterdã, Marseille, Leipzig, Lisboa, São Paulo, Tiradentes e tantos outros. O "Céu Sobre os Ombros'', seu primeiro longa, foi o grande vencedor do 43º Festival de Brasília, de 2010, sendo contemplado nas categorias melhor filme, direção, roteiro, montagem e prêmio especial. Fred Melo Paiva, produtor e roteirista do “Filme do Galo”, é apresentador e roteirista da série ``O Infiltrado", do History Channel, indicada ao Emmy Internacional 2014. Ele também colabora com alguns dos principais jornais e revistas do país, e é colunista do jornal Estado de Minas (onde assina uma crônica semanal sobre o Atlético Mineiro, sua religião).

Lutar, Lutar, Lutar é uma produção Canabrava, Fractais, Fred Melo Paiva e ESPN, em co-produção com Anacoluto Filmes e Olada e com o patrocínio da ESPN, BMG e Ancine/ Governo Federal. A Distribuição é da Embaúba Filmes.

Serviço

Lutar, Lutar, Lutar - O Filme do Galo

Direção: Helvécio Marins e Sérgio Borges

Distribuição: Embaúba Filmes

Estreia: 17 de dezembro para locação online ($13,90) em www.salamaniva.com

Nos cinemas: o filme segue em cartaz no Cine Una Belas Artes (18h), em Belo Horizonte e no Lumière Banana Shopping (também às 18), em Goiânia.


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