Belo Horizonte, 05/12/2021

Novembro Azul: como os exercícios físicos ajudam na prevenção e no tratamento do câncer de próstata

por redacao | publicado em terça, 16 de novembro de 2021



Foto: Ulysses Padilha


Dentre os tumores malignos de câncer diagnosticados no país, 29% correspondem ao de próstata, sendo o tipo mais comum entre a população masculina. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) aponta para 65.840 casos a cada ano, entre 2020 e 2022. Mas, será que existe alguma forma de combater a doença? Especialistas afirmam que a prática regular de atividades físicas pode reduzir o risco de desenvolvimento de câncer de próstata e também ajudar quem já está em tratamento.

“Não podemos afirmar que a prática de exercícios físicos irá impedir 100% o desenvolvimento do câncer de próstata, afinal, existe a predisposição genética, por exemplo. Mas, a literatura científica nos mostra que os exercícios físicos contribuem para uma melhora geral do quadro de saúde e redução do risco de desenvolvimento de tumor, especialmente em relação a pessoas com comportamento sedentário”, detalha o mestre em fisiologia do exercício e diretor técnico das academias Bodytech, Eduardo Netto.

Segundo o especialista, desde meados da década de 1980, tem sido crescente o interesse da aplicação do exercício físico como prevenção e gestão do câncer de próstata. “Inúmeras pesquisas confirmam que exercícios aeróbicos e treinamento de força (musculação) são altamente benéficos para melhorar a composição corporal, qualidade de vida, capacidade funcional de saúde mental e reduzir o risco de recorrência de câncer e desenvolvimento de outras doenças crônicas, sendo que alguns estudos apontam a redução da mortalidade de 30 a 60%”, destaca Eduardo Netto.

Com a evolução dos tratamentos, as taxas de sobrevida dos pacientes em tratamento estão altas, entre cinco e 10 anos, no entanto, os efeitos colaterais afetam a qualidade de vida. A privação de testosterona, por exemplo, embora muito eficaz para o controle do crescimento do tumor na próstata, acarreta em perda muscular (massa magra), aumento de gordura corporal, redução da atividade cardiovascular e, em alguns casos, morte súbita. “A prática de exercício demonstrou ser um medicamento muito eficaz para neutralizar todas essas sequelas do tratamento, bem como melhorar a saúde mental e a qualidade de vida. A atividade física demonstrou ser segura e bem tolerada por pacientes com câncer”, afirma Netto.

A recomendação atual é completar pelo menos 150 minutos de exercícios aeróbicos e duas ou mais sessões de treinamento de força por semana. É necessária uma prescrição de exercícios mais específica para abordar consequências específicas do tratamento. “Programas individualizados podem reduzir os efeitos colaterais do tratamento, como a perda de massa magra, a obesidade, a fadiga e a ansiedade. Todas as pessoas com diagnóstico de algum tipo de câncer devem investir em exercícios regulares com a mesma energia e dedicação eles enfrentam cirurgias e outras formas de tratamento”, destaca o profissional.

Aeróbico ajuda na prevenção

Exercícios aeróbicos como caminhada, natação e corrida ajudam o corpo a aumentar o gasto calórico, isso faz com que o organismo aumente os níveis naturais de antioxidantes do corpo e também eliminam moléculas inflamatórias que causam câncer. Além disso, evita o sobrepeso, que é um dos fatores de risco para o desenvolvimento de câncer.

“Uma vida saudável precisa ser amparada pelo tripé: menos estresse, alimentação saudável e atividade física. O ideal é acumular 150 minutos de exercícios por semana, o que equivale a 30 minutos por dia. Criando essa rotina e evitando maus hábitos como fumo, excesso de bebidas alcóolicas, comportamento sedentário e consumo de gordura e industrializados, certamente, haverá uma redução no risco de câncer”, enfatiza Eduardo Netto.

Outros benefícios dos exercícios físicos:

• Estimula os receptores de insulina nas células que lutam contra o câncer;

• Melhora a função do sistema imunológico;

• Acelera o metabolismo do ácido ascórbico (vitamina C);

• Reduz a formação e a evolução de tumores cancerígenos;

• Regula os radicais livres;

• Melhora a função do trato intestinal;

• Melhora a autoestima, o humor e a qualidade de vida.


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