Belo Horizonte, 05/12/2021

Novembro Azul: exames de prevenção contra câncer de próstata caem durante pandemia

por redacao | publicado em terça, 09 de novembro de 2021



Dados da Sociedade Brasileira de Urologia revelam que entre 2019 e 2020, houve queda de 21% nas biópsias e 27% no exame de sangue, o PSA, que auxilia médicos no rastreamento da doença, considerada o segundo tipo de câncer mais comum entre homens

Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia, em São Paulo, traz dados que causam preocupação neste penúltimo mês de 2021, quando ocorre a campanha Novembro Azul, de prevenção ao câncer de próstata, o segundo mais comum entre os homens. Isso porque muitos deles deixaram de fazer os exames preventivos, por causa da pandemia, o que aumenta o risco da doença. Entre 2019 e 2020, houve, por exemplo, queda de 21% nas biópsias e 27% no exame de sangue, o PSA, que auxilia os médicos no rastreamento da neoplasia. Para 2021, o Instituto Nacional do Câncer (INCA), estima o surgimento de 65 mil casos da enfermidade.

Segundo o oncologista clínico Bráulio Nunes, que pertence ao corpo clínico da Cetus Oncologia [clínica especializada em tratamentos oncológicos com sede em Betim e unidades em Belo Horizonte e Contagem], além da pandemia ter provocado um afastamento dos homens dos consultórios médicos, a própria prevenção da doença já é carregada de preconceitos, falsas notícias e estereótipos. A fake news mais comum sobre o tema é de que o exame de toque retal, uma das etapas de rastreamento do tumor, coloca em xeque a masculinidade e ainda pode causar impotência sexual. “O toque no reto sequer é indicado na maioria dos atendimentos. Ele se torna frequente apenas nas situações em que o homem tem um risco aumentado da enfermidade devido, por exemplo, à histórico familiar da doença ou se pertence à raça negra, entre outros fatores. Muitos morrem [de câncer de próstata] pelo simples temor a este método. Quando descobrem o diagnóstico, infelizmente o tumor já está em fase metastática. Nesses casos só enfrentam a situação pelo viés da dor e do sofrimento. É preciso quebrar esse ciclo que informação distorcida originado, principalmente, pelo fato de vivermos em uma sociedade extremamente machista”, reflete.

O oncologista clínico Bráulio Nunes/ Marcele Valina

O médico ressalta que o melhor método para investigar neoplasias na próstata é mais simples do que muitos imaginam, por meio de um exame de sangue corriqueiro, feito em laboratório. Ele mede a dosagem de PSA, antígeno prostático específico, proteína produzida pelas células prostáticas que, em número elevado, acima de 6 nanogramas por mililitro de sangue, podem ser um alerta de que o homem tem grandes chances de ter ou já estar com um tumor na glândula. “Esse resultado, no entanto, não determina necessariamente a presença de câncer na próstata, pois, na maioria das vezes, os casos estão relacionados à inflamação, hiperplasia prostática benigna (crescimento da próstata), entre outras anormalidades”, explica Nunes.

Caso o PSA esteja elevado, aí sim será recomendado ao paciente o exame de toque retal e só depois, para ‘tirar a prova dos nove’, uma biópsia da próstata, que por meio da retirada de amostras do tecido da glândula para análise, feita com o auxílio da ultrassonografia, irá confirmar ou não um possível tumor. “Vale lembrar também que um PSA baixo não isenta o risco da doença, Estima-se, por exemplo, que um paciente com a dosagem menor que 1 ng/ml tenha chances aproximadas para detectar um câncer de próstata de 3,37 em 10 anos de seguimento, enquanto que um homem com PSA entre 3-10 ng/ml tenha um risco de 38,96 em igual período. Portanto, o segundo paciente deve ser visto com maior frequência, com avaliação urológica anual, e o primeiro avaliado a cada cinco anos, caso não tenha nenhum fator de risco”, explica.

Quanto à idade para começar o rastreamento, o médico da Cetus Oncologia faz a seguinte recomendação: se o homem teve, por exemplo, um parente de primeiro grau com câncer de próstata aos 40 anos ou é negro, o ideal é que ele comece a fazer seus exames aos 35. “Se por outro lado não tem fator de risco, a recomendação da Sociedade Brasileira de Urologia é que essa avaliação comece a ser feita, de forma individualizada, a partir de 50 anos.

Quando detectado precocemente, Bráulio afirma que o câncer de próstata tem mais de 90% de chances de cura. Além disso as temidas consequências do tratamento, entre elas impotência sexual e incontinência urinária, vêm ocorrendo cada vez menos devido à modernização das técnicas terapêuticas. “Na radioterapia, por exemplo, temos intervenções cada vez mais precisas que não comprometem a região, além da cirurgia robótica. O câncer de próstata, por sinal, é o carro chefe da cirurgia robótica. O robô consegue identificar quaisquer nervos com facilidade sem lesá-los”.

Mas para que esse diagnóstico seja precoce, o médico enfatiza a importância do público masculino estar atento à saúde, em todos os aspectos, e incorporar hábitos preventivos. “Mesmo antes da pandemia, muitos deles [os homens] não já tinham o hábito de irem ao médico e nem estarem ligados nesse assunto quanto as mulheres. Vários, inclusive, postergam dores e sintomas. É mais que necessário mudar essa chave”.

Fique atento aos sinais e sintomas do câncer de próstata

Em sua fase inicial, o câncer de próstata tem evolução silenciosa. Muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma ou, quando apresentam, são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata: dificuldade de urinar e necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite.

Na fase avançada a doença pode causar dor óssea, sintomas urinários, infecção generalizada ou insuficiência renal.


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