Belo Horizonte, 05/12/2021

O fim das carroças em BH

por redacao | publicado em terça, 02 de fevereiro de 2021



POR Osvaldo Lopes



A luta foi árdua, a caminhada intensa e os debates, em cada uma das audiências ou discussões em plenário, se deram com momentos acalorados e de amplo confronto de ideias. Quase quatro anos após ser apresentado por mim na Câmara Municipal de Belo Horizonte, o PL 142/17, conhecido como Carreto do Bem, se tornou a Lei 11.285/21, na reta final de janeiro. O que estava em questão? A substituição dos veículos de tração animal (as carroças), por veículos motorizados. Ao mesmo tempo, darmos fim ao sofrimento e à escravidão dos equinos e, tão importante quanto, oferecermos condições para que os carroceiros possam se tornar empreendedores com melhor capacidade produtiva e de transporte.

Superamos a pressão com muita articulação, paciência e boletins de ocorrência por ameaças de morte. No entanto, penso que conseguimos cumprir o propósito maior: sensibilizarmos os diferentes agentes públicos envolvidos – de cidadãos a vereadores, passando pelo Prefeito e as entidades ligadas aos carroceiros, sobre a importância de abandonarmos um hábito medieval, para nos juntarmos a dezenas de cidades que já aderiram a esta nova realidade legislativa, como Juiz de Fora, Rio de Janeiro, Cuiabá, Curitiba, Vitória, Taubaté, Fortaleza, Jacareí, Brasília, Rio Preto, Maringá, Lajeado, Joinville e Belém, por exemplo.

O Programa Carreto do Bem proibirá a utilização de veículos de tração animal, indicando a sua substituição por motorizados, em definitivo, no prazo máximo de 10 anos (contados a partir de 22 de janeiro). Este é um pleito histórico da causa animal, uma vez que milhares de cavalos, éguas e jumentos se encontram em situação análoga à escravidão e, em incontáveis ocasiões, vêm a óbito por maus-tratos, abandono e ausência de cuidados devidos.

Uma comissão composta por carroceiros e protetores dos animais será formada pela Prefeitura de BH, de modo a ser assegurada uma transição justa, digna e benéfica a todas as partes envolvidas. Fica, para a causa animal de Belo Horizonte, a sensação de missão cumprida. Vidas animais serão preservadas, empregos modernizados e, pelas ruas, Belo Horizonte e a sua população, humana e animal, ganharão em segurança e dignidade. Dever cumprido: esta é a sensação que fica.


Foto: O ativista da causa animal e deputado estadual Osvaldo Lopes/ Paulo Emanuel.


Comentários