Belo Horizonte, 14/11/2019

O papel da família na felicidade dos filhos

por Redação | publicado em sexta, 01 de novembro de 2019



Psiquiatra alerta que pais precisam ser mais críticos aos apelos de consumo e à competitividade do mundo moderno

Nesta época do ano, milhares de pais começam a busca pela primeira ou nova escola para o filho iniciar o próximo ciclo letivo. O leque de instituições de ensino é enorme, inclui desde as escolas cognitivas, que priorizam conhecimento e resultados no Enem e no mercado de trabalho, às religiosas e até aquelas com pedagogias que fogem do padrão tradicional. Os pais começam também a corrida pelas atividades extracurriculares, como balé e esportes. Tudo em nome da missão de formar adultos bem-sucedidos na esfera pessoal e no mundo do trabalho. Psiquiatra da Clínica Mangabeiras, Renato Ferreira Araújo alerta, no entanto, que nem só a escola e um leque de atividades podem garantir a formação de filhos. O papel da família, na visão do médico, é insubstituível para formar adultos felizes, sobretudo em tempos de grandes apelos para o consumo e a competitividade.

O papel da família na vida dos filhos

“Os pais precisam ter uma visão mais crítica. É preciso rever padrões de vida, como a competitividade e o consumo desenfreado e a importância de repassar bons valores. É necessário que façam uma autorreflexão sobre o que desejam para os filhos e da própria vida para formar cidadãos felizes e conscientes”, diz o psiquiatra.

Renato Ferreira reconhece que as famílias hoje, tanto os pais quanto as mães, precisam trabalhar para o sustento da família, mas por um lado percebe que existe uma grande pressão social para o sucesso. A competitividade, segundo ele, tem levado as escolas e os pais a oferecerem às crianças atividades em excesso. “Há crianças que acabam levando a vida de adultos, em razão de muitas atividades, enquanto que, na infância, não existe nada mais importante do que o brincar. É por meio das brincadeiras, da criatividade e das fantasias que a criança vai descobrir o mundo, construir a personalidade e as relações com o outro”, diz o médico.

A importância do repasse de valores para os filhos

Repassar valores para os filhos, como a gentileza com o próximo e a cordialidade, hoje em desuso em razão da insegurança e da correria do mundo moderno, também é importante, na visão do psiquiatra. “Antes as famílias tinham uma vida mais simples. As crianças que moravam em prédios no passado, por exemplo, tinham como diversão circular pelos apartamentos dos vizinhos, que ficavam abertos para brincar. Hoje, as pessoas mal se cumprimentam nos condomínios”, compara. Esse tipo de comportamento, que dispensa a gentileza, causado pela insegurança, conforme o Renato Ferreira, “vai todo para a criança”. “Portanto, os pais precisam estar atentos à importância de preservação e do repasse de valores, mesmo diante dos desafios impostos pela sociedade moderna”, acredita.

Dizer “não” à criança e fazê-las entender que não podem, por exemplo, ganhar um presente que vai além do orçamento da família, é ainda primordial, na visão do psiquiatra, no processo para formação de adultos felizes. “Muitos pais, em razão da ausência em casa por causa do trabalho, sentem-se culpados e para compensar esse sentimento enchem os filhos de presentes. Não sabem dizer não. Esse tipo de comportamento pode gerar adultos sem limites e com dificuldades de lidar com frustrações”, alerta.

O psiquiatra lembra a importância de os pais também serem críticos ao excesso de competitividade. “Uma aula de natação, por exemplo, não tem como intuito formar ganhadores de medalhas. Para as crianças é um momento de brincar, importante para o desenvolvimento delas”, orienta.

Depressão em crianças devido a cobranças

O psiquiatra revela que é uma realidade hoje nos consultórios a presença de crianças e adolescentes deprimidos devido ao alto grau de cobrança nas escolas, cada vez mais competitivas em razão das exigências do mercado de trabalho. “A cobrança de sucesso em excesso afeta o emocional, gera insegurança e carência afetiva. O momento da infância e da adolescência é que irá sustentar a vida emocional no futuro. Uma criança que brinca e é feliz, na certa, será um bom profissional, um bom empreendedor, capaz de solucionar problemas na vida”, garante.



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