Belo Horizonte, 28/10/2020

Temperaturas recordes podem afetar a sua saúde

por Redação | publicado em quarta, 07 de outubro de 2020



Médico da ABRAMEPO fala dos cuidados que devemos ter com o calor

Várias capitais brasileiras estão registrando recordes históricos de temperatura. É fato que com o desmatamento, a poluição e o excesso de asfalto nas cidades contribuem para o aumento das temperaturas globais, o que antigamente era considerado calor extremo está se tornando o novo normal.

Em Belo Horizonte, por exemplo, o recorde histórico de calor, até o momento, foi registrado no último dia 3 de outubro, com termômetros chegando a 37,8ºC, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia em Minas Gerais (Inmet).

E as temperaturas elevadas não são exclusividade dos moradores de Belo Horizonte. Em 30 de setembro deste ano, Cuiabá registrou a marca de 44°C, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), estabelecendo novo recorde de calor desde dezembro de 1910, quando começaram as medições.

Só que as altas temperaturas não estão acontecendo apenas em 2020. Em 2019, até o dia 23 de janeiro, a temperatura em quatro dias superou os 40 graus no Rio de Janeiro, por exemplo.

E você já parou para pensar como isso impacta no seu corpo? Quando pensamos em calor forte, pensamos em insolação, desidratação, só que o impacto no corpo pode ser ainda mais intenso, levando as pessoas a terem acidente vascular cerebral (AVC) e até infarto.

O calor está de matar não é apenas uma forma de falar. Em junho do ano passado, a onda de calor matou na Espanha e Itália. Um dos casos na Espanha, onde as temperaturas superaram os 40 °C, foi de um jovem de 17 anos que trabalhava no campo e morreu devido a uma insolação.

Quando a temperatura aumenta, o corpo é forçado a trabalhar mais do que o normal, o que pode afetar seu desempenho bem como sua saúde, ressalta o médico especialista em medicina de família da Associação Brasileira de Médicos com Expertise de Pós-Graduação (Abramepo), Asdrubal Cesar da Cunha Russo.

“O calor muito forte pode significar uma ameaça à vida, pois pode causar a hipertemia, que é a elevação da temperatura do corpo, que acontece quando o corpo produz ou absorve mais calor do que consegue dissipar. A pessoa pode ter náuseas, dor de cabeça, calafrios e ter a respiração e os batimentos cardíacos acelerados. Assim, quem trabalha ao ar livre não deve se expor nos horários de pico do sol, bem como evitar fazer exercícios físicos”, alerta.

Ele explica que, com temperaturas bem elevadas, o corpo pode perder uma quantidade significativa de líquido, entrando em estado de desidratação, quando a temperatura sobe muito. Logo, o coração tem que trabalhar mais, a pressão arterial pode cair, aumenta o risco de a pessoa ter um desmaio, que é a perda da consciência, e pessoas que possuem problemas cardíacos podem ter até complicações sérias, como infarto e AVC. “É importante também manter o controle das doenças crônicas, como diabetes e hipertensão”, diz.

Conforme o médico, o corpo pode ter estresse térmico, com impacto sobre corpo, coração cérebro e rins. A desidratação pode inclusive a capacidade de a pessoa regular a temperatura do corpo. O calor extremo também pode fazer com que pessoas tenham inchaços nas pernas, com rompimento de varizes.

Outro cuidado com o calor intenso é o desenvolvimento da erisipela. Afinal, os inchaços causados por um retardo na absorção de líquidos nos membros inferiores podem abrir espaço para uma infecção oportunista, muitas vezes, uma micose entre os dedos ou uma fissura em uma pele desidratada, e uma bactéria pode entrar no corpo e causar a erisipela.

O médico alerta que dois grupos são mais suscetíveis a problemas com o calor excessivo: crianças e os idosos. Isso ocorre em razão da perda de líquido corporal que pode representar um volume muitas vezes significativo na volemia, isto é, na quantidade total de sangue no corpo tanto de crianças como de idosos.

O médico da Abramepo recomenda alguns cuidados durante os dias de altas temperaturas:

- Uso de roupas claras e leves;

- Ingestão de bastante água;

- Preste atenção aos sinais do seu organismo;

- Consumir alimentos que possuam maior concentração de água como: morango, melancia, melão, alface, beterraba, couve, tomate, aipo, rabanete, carambola e pepino;

- Evitar exercícios físicos nos horários de pico do calor;

- Para as pessoas que trabalham nas ruas, como ambulantes e guardas, o ideal é beber, pelo menos, dois litros de água por dia;

- Use guarda-chuva ou guarda-sol, que ajuda a diminuir a incidência de raios solares diretos, bem como o filtro solar, para evitar queimaduras solares, o que desencadeia uma resposta inflamatória aguda;

- Utilizar umidificadores em ambientes internos;

- Em caso de tontura, confusão mental ou desorientação, procure atendimento médico imediatamente. Enquanto aguarda a chegada do médico, faça o possível para esfriar a pessoa: leve para a sombra, tire as roupas e lave com água fria. A insolação é uma emergência séria e o tempo é da maior importância ao tratá-la. Se a temperatura central de um indivíduo permanecer acima de 40ºC por mais de 30 minutos, o resultado pode ser fatal;

- Para evitar os inchaços nas pernas, a recomendação, é que, a cada duas horas, as pessoas levantem um pouco as pernas;

- Hidratar a pele e massagens pelo corpo antes de dormir. As massagens ajudam na drenagem das veias e dos vasos linfáticos;


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