14 de junho de 2024

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“NUM INSTANTE”:  GAL Galeria recebe exposição de Fernanda Gontijo

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Redação

Foto: Fernanda Gontijo/Arquivo pessoal

Inaugurou na última quinta-feira (23), na GAL Galeria, a exposição Num Instante, da artista Fernanda Gontijo. Com curadoria de Marina Romano (texto curatorial abaixo), a mostra apresenta uma seleção de trabalhos recentes em pintura, desenho e colagem, além de uma obra site-specific

“O ponto de partida foi uma experiência de grande ventania que vivenciei em Belo Horizonte, enquanto caminhava pelas ruas do centro. Fui surpreendida por uma forte corrente de vento que, num instante, levantou muita poeira e outros fragmentos invisíveis ao olhar acostumado de quem passa por ali no dia a dia. De repente, tudo estava suspenso no ar, girando, eu mal conseguia manter os olhos abertos. Não durou muito tempo, mas depois daquele instante nada estava mais como antes. Um giro, é o que pretendo mostrar na galeria por meio de fragmentos coletados durante caminhadas no hipercentro de BH, em composição com trabalhos feitos em ateliê e fragmentos do próprio ateliê” conta Fernanda.

“Num Instante” pretende refletir a força e delicadeza daquele momento, tornando visíveis elementos antes imperceptíveis e como a fugacidade de um instante pode mudar toda nossa percepção do mundo.

Sobre Fernanda Gontijo

Artista visual e designer gráfica, tem se dedicado à pesquisa e ao fazer artístico com interesse especial pelo resto como potência poética e matéria de criação e as relações entre palavra e imagem. Através do desenho, da colagem, da pintura e da fotografia, explora diversas materialidades e texturas, incorporando fragmentos do seu cotidiano e da paisagem urbana, investigando a natureza experimental construtiva do processo criativo.

É formada em Comunicação Social, pós-graduada em Processos Criativos em Palavra e Imagem e em Artes Plásticas e Contemporaneidade pela Escola Guignard (UEMG). Em 2020 sua pesquisa foi contemplada pela Lei Aldir Blanc do Governo do Estado de Minas Gerais. Apresentou a exposição individual “Quando o tempo para e cai para todos os lados”, em 2021, no Café com Letras (BH/MG). Participou da mostra coletiva “Temporada de Verão”, na Casa Gal, e apresentou a exposição individual “Vejo os Meus Próprios Olhos” em 2022, também na Casa Gal (BH/MG). Em 2023 participou da exposição coletiva “Cultivando Incertezas” na Galeria da Escola Guignard.

Serviço

Exposição “Num Instante” de Fernanda Gontijo

Local: GAL – Rua Groenlândia, 50 – Sion 

@gal.art.br 

Abertura: 23/05 (quinta-feira)

Encerramento: 13/07 (sábado)

Horário de visitação: 

terça a sexta-feira: 14h – 18h30 / 

sábado 10h – 14h 

visitas em outros horários disponíveis sob agendamento

tel/ whatsapp: 31 9370-8998

Entrada Gratuita

Texto curatorial – Marina Romano

“A recriação do mundo é um evento possível o tempo inteiro.”

Ailton Krenak

A potência de vida da ação tem o efeito de movimento constante – subitamente, uma eventual reviravolta pode perturbar a norma e alterar tudo aquilo que era conhecido. Bastou um instante para que uma ventania repentina levasse pelos ares as coisas que estavam no chão, inertes. Fernanda Gontijo recorda esse episódio, vivido em uma de suas caminhadas pela cidade. Quando pousaram, depois de girarem em redemoinho, os vestígios da vegetação, de pessoas e das construções voltaram para o solo em outra organização, como novos rastros. 

O momento de suspensão no ar é carregado de incerteza e reflete a experiência da vida no mundo, em sua condição efêmera e instável. Para enxergar esse breve retrato em uma espiral de vento na rua, é preciso a prática de uma atenção sensível à simplicidade do cotidiano. Num Instante apresenta os trabalhos como produtos da atenção inequívoca à aparente banalidade dos fragmentos de matéria no espaço urbano. 

Em sua obra, a artista constrói imagens com a intenção de criar corpos para existir no mundo, manifestando sua própria existência impermanente. Para fazer isso, versada nos modos da colagem, costuma misturar uma variedade de materiais, abordando o papel, o tecido e a tela com canetas, lápis, spray, nanquim, acrílica, guache e o que mais encontrar no ateliê, de pedaços de fita-crepe usada a cascas de parede. Com cuidado, recoloca os objetos e suas histórias pregressas em novos contextos, um procedimento que usa o próprio corpo como um ponto na trajetória de vida de outro. 

A pintura traz esse gesto, imprimindo no campo pictórico o resultado, em escala real, do percurso das pernas e braços pelas ruas. E, por onde se olha, a presença da cor é quase espontânea, em composições suaves e equilibradas, como registros de uma memória agradável da paisagem. Em um dos trabalhos, o lençol que amparava o repouso, vai para o ateliê e vira território da ação. Em outro, o papel que sai da mesa para o chão, apoiando os impulsos de um corpo que dança. Tudo está em movimento. 

Para Fernanda Gontijo, o hábito de incorporar à obra aquilo que é da ordem do comum, sem esconder o erro e a imperfeição, parte do desejo de poder existir de forma mais verdadeira, ainda que pouco articulada. Nesse sentido, as caminhadas trazidas em relatos visuais nesta exposição servem como meios para observar e coletar materiais, ou como objetivo em si, em uma ação que é notavelmente ordinária. Assim, essa produção narra trajetos por entre os locais que ela habita e aqueles que frequenta, acolhendo os restos e propondo sentidos daquilo que sobra do fluxo de vida pela cidade, em transformações contínuas. 

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